A ereção é um processo natural e saudável, resultado da combinação entre estímulos nervosos, hormonais e circulatórios. Mas quando ela ocorre de forma prolongada e dolorosa, sem estar relacionada ao desejo sexual, pode se tratar de uma emergência médica chamada priapismo.
O priapismo é uma condição rara, mas que exige atendimento imediato, pois, se não tratada rapidamente, pode causar danos permanentes ao tecido peniano e disfunção erétil. Continue a leitura deste artigo e entenda melhor o que é o priapismo, suas principais causas, seus tipos e as opções de tratamento disponíveis.
O Priapismo
Originado do deus grego Priapus, conhecido como o deus da produtividade e fertilidade das plantações, o Priapismo é uma condição que, independentemente de ter ou não estímulos sexuais, provoca a ereção peniana sustentada por mais de 4 horas.
Essa ereção prolongada é provocada pela alteração no fluxo sanguíneo no pênis, sendo, muitas vezes, acompanhada por forte dor e falta de desejo sexual. A condição, geralmente, tem início durante a noite. Pode ser classificada em dois tipos distintos.
Embora seja mais comum em adultos, o priapismo também pode ocorrer em adolescentes e crianças, especialmente em casos relacionados a doenças hematológicas, como a anemia falciforme.
Tipos de Priapismo
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O priapismo é classificado em dois tipos principais, que exigem abordagens diferentes:
Priapismo Isquêmico (ou de Baixo Fluxo)
É o tipo mais comum e o mais perigoso. Ocorre quando o sangue fica preso dentro dos corpos cavernosos do pênis, sem circulação adequada. Essa falta de oxigenação causa dor intensa e risco de necrose do tecido peniano.
Os principais sintomas incluem:
- Ereção dolorosa e rígida que dura mais de 4 horas;
- Ponta do pênis (glande) mais flácida;
- Sensação de pressão e desconforto crescente.
Esse tipo requer tratamento de urgência, pois a falta de oxigênio pode causar danos irreversíveis em poucas horas.
Priapismo Não Isquêmico (ou de Alto Fluxo)
Esse tipo é mais raro e, geralmente, não é doloroso. Ocorre quando há um fluxo excessivo de sangue arterial para o pênis, geralmente após traumas ou lesões nos vasos sanguíneos da região genital.
Os principais sintomas incluem:
- Ereção prolongada, porém menos rígida;
- Ausência de dor intensa;
- Pode melhorar e retornar espontaneamente.
Embora menos grave, o priapismo não isquêmico também requer avaliação médica, especialmente se o episódio se repetir.
Causas do Priapismo
As causas do priapismo variam de acordo com o tipo, mas, de forma geral, envolvem alterações no sangue, uso de medicamentos ou traumas locais. Entre as principais estão:
Doenças Hematológicas
- Anemia falciforme: é a principal causa em crianças e adolescentes. As células vermelhas deformadas bloqueiam o fluxo sanguíneo no pênis;
- Leucemia e talassemia: também podem aumentar a viscosidade do sangue e favorecer o priapismo.
Medicamentos
Alguns remédios usados para tratar disfunção erétil, depressão ou hipertensão podem causar ereção prolongada, especialmente quando usados de forma incorreta. Entre eles:
- Injeções intracavernosas;
- Antidepressivos;
- Anticoagulantes;
- Antipsicóticos.
Traumas ou Lesões
Golpes na região genital, pelve ou períneo podem causar lesões vasculares, resultando em entrada contínua de sangue arterial no pênis (priapismo de alto fluxo).
Abuso de Substâncias
O uso de drogas ilícitas, como cocaína e ecstasy, também pode estar relacionado aos episódios de priapismo.
Causas Idiopáticas
Em cerca de 30% dos casos não é possível identificar a causa exata, sendo chamados de priapismos idiopáticos.
Diagnóstico e Tratamento
Quadros de priapismo apresentam um conjunto extenso de sintomas. Seus sinais são basicamente a ereção prolongada, independentemente de existir excitação sexual ou não. Podendo chegar a 6 ou 8 horas de duração. Em casos isquêmicos que correspondem a 95% dos casos de priapismo, a ereção vem acompanhada de forte dor no órgão.
O diagnóstico é feito pelo urologista, com base no histórico do paciente e em exames físicos e laboratoriais. Entre os exames mais utilizados estão:
- Gasometria do sangue cavernoso: avalia o nível de oxigenação para identificar se o priapismo é isquêmico ou não isquêmico;
- Ultrassom Doppler peniano: analisa o fluxo sanguíneo e as possíveis lesões vasculares;
- Hemograma e testes hematológicos: para investigar doenças do sangue.
O diagnóstico rápido é essencial, pois quanto mais tempo o sangue permanecer preso no pênis, maior o risco de complicações.
Com o diagnóstico fechado, o tratamento irá depender do tipo e da gravidade do quadro, mas o objetivo é sempre restaurar o fluxo sanguíneo normal e aliviar a dor.
Tratamento do Priapismo Isquêmico
- Aspiração do sangue: o médico retira o sangue preso no pênis com uma agulha fina para aliviar a pressão;
- Lavagem com soluções medicamentosas: ajuda a desobstruir o fluxo e restaurar a circulação;
- Injeção de medicamentos vasoconstritores: usados para contrair os vasos e facilitar a drenagem do sangue;
- Cirurgia (derivação): em casos graves, cria-se um canal alternativo para o sangue circular novamente.
Tratamento do Priapismo Não Isquêmico
Esses casos, geralmente, não requerem intervenção imediata. O médico pode adotar conduta de observação, compressas frias ou tratamento do vaso lesionado por embolização (bloqueio seletivo da artéria afetada).
Complicações, Prognósticos e Prevenção
O priapismo isquêmico pode causar fibrose nos corpos cavernosos, resultando em disfunção erétil permanente. Por isso, cada hora conta: quanto mais rápido o tratamento, maior a chance de preservação da função sexual.
Algumas medidas podem reduzir o risco de priapismo, como:
- Evitar o uso indevido de medicamentos para ereção;
- Tratar doenças hematológicas sob orientação médica;
- Controlar o uso de álcool e drogas recreativas.
Mesmo após o tratamento, é fundamental acompanhar com o urologista para avaliar possíveis sequelas e prevenir novos episódios, especialmente em pacientes com doenças crônicas.
Reconhecer os sinais precoces e buscar ajuda rapidamente é essencial para evitar danos permanentes à função erétil. Ao menor sinal de priapismo, procure seu urologista de confiança.
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Artigo Publicado em: 29 de maio de 2020 e Atualizado em: 5 de dezembro de 2025